Music and lyric by José M. Silva, sing and song writer.
Arranjo musical de Gildo Oliveira.
Musical arrangement by Gildo Oliveira.
Espero que gostem!
I hope you enjoy!
Regards!
José M. Silva


Aquelas que recordo um dia ter dito, lido ou ouvido
num qualquer botequim de rua ou bar de esquina!…
Recordo o instante, o gesto, a mão, o rosto
e guardo tão vivo quanto vivo esta vida de mito.
Crente em coisa alguma, aguardo
o traço pesado e sombrio, que embalo
neste medo, que me crucifica o corpo e a alma.
As forças esvaecem-se, o pão é uma utopia.
A minha casa não tem portas nem janelas.
Lavo-me da morte e da corrente que me assola as vísceras!
E, o traço foge-me nas palavras errantes,
no redesenho dos fantasmas sem rosto.

Verifiquei que as cores se distanciavam
quanto mais frias.Mas o seu fogo
retraía-me o olhar.
Verifiquei também que as formas surgiam
como pássaros num voo cerrado.
As linhas renovavam-se
numa junção física e intuitiva.
No nascer suspenso, de uma mutabilidade,
que pairava no silêncio
e no registo delineado do tempo.
Tempo que não apaga, nem os sonhos, nem o som,
com que invento a descrição do teu rosto.
José M. Silva
Do Livro «As Sombras» 2010

Embalo nas correntes serpentinas
que deslizam embriagadas
plos ventos.
Mergulho nas encostas áridas,
repletas de mistérios e enigmas nocturnos.
Sou amante da estrada, amante dos sonhos.
Sonho com corpos dançantes,
seios insinuantes e lábios carnudos.
Projecto pontes no ar e espelhos camuflados.
Vibro com mulheres encharcadas,
galopantes do sexo e enroladas em lençóis de sémen.
Vibro com combustões erécteis.
Ébria de mel em mim entras
enrolada em doces espirais
e conexões sem eco.
E, no ranger desta ansiedade,
no profundo fechar de olhos
nesta noite que já esvoaça
APARECES!!!.....
Temerosa estátua de corpo desnudado
de olhar profundo e longínquo.
Estendes-me os teus frescos braços de flor
e nos teus seios repouso.
Mas na minha solidão
Permaneces ausente ausente:
do vento, do mar, das gaivotas,
dos veleiros e das rosas que dirijo.
Dos crepúsculos em olhares de boneca
dos búzios em terras santas
dos beijos que cantam nos rios…
José M. Silva
Aguarela de Veneza autor: José M. Silva
Viajo por todos os lugares possíveis e impossíveis,
conhecidos e desconhecidos, imagináveis e inimagináveis.
Viajo pelas brumas, bebo do espumante das ondas,
mergulho nas pradarias marítimas, visito os crustáceos,
admiro as estrelas e deliro com os cavalos marinhos.
Vou ao fundo, bem ao fundo, mais fundo não há!
Avisto barcos piratas, baús e artefactos valiosos.
Regresso à superfície e, em mim, cresce um verde renovado
nas chamas que correm nas águas transparentes dos rios...
estes fluem livremente nas flores e na luz do amor.
As crianças brincam em tapetes vivos, os lagos envaidecem-nas...
pintam colinas da cor do céu, pintam árvores da cor do mar,
pintam mundos novos, com novos arco-íris e vivem as cores.
Pintam andorinhas, terras distantes e paraísos desnudados.
Crescem nas palavras indizíveis da cruel e imaculada inocência.
Viajo por todos os lugares possíveis e impossíveis,
vou ao fundo, mesmo ao fundo da minha nudez.
Presenteio a minha apaguês dispersa na volúvel simetria,
olho os astros, as constelações e moldo-me na argila
como um missing link num fosso de duplos labirintos.
