O difícil está no aceitar as pessoas como são, mesmo quando as palavras nos cortam.

15/08/2010 José M. Silva

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

A bondade da água ou o caminho do pão!...



Acrilico s/tela
Med: 50x70cm
Autor: José M. Silva

As janelas fazem transparecer
um mundo tão permanente e efémero,
quanto a mulher de vermelho.
Esta espelha o seu modo de graça
divino e materialista.
A multidão apressada esconde, o olhar,
do olhar inocente!
O comerciante mostra-se apreensivo,
com os hóspedes de rua.
E, os anjos de branco, filhos do homem
que não soube o que é ser criança.
Esperam a bondade da água ou o caminho do pão!

Votos de feliz Natal e feliz Ano Novo!

José M. Silva

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Fantasmas sem rosto



Titulo: Fantasmas sem rosto
Acrilico s/tela, dim: 30 x 40 cm
Autor: José M. Silva

Nota. Na tela original, o mendigo tem a cara tapada.
Alteração feita após a foto.

O traço foge-me nas palavras.

Aquelas que recordo um dia ter dito, lido ou ouvido

num qualquer botequim de rua ou bar de esquina!…

Recordo o instante, o gesto, a mão, o rosto

e guardo tão vivo quanto vivo esta vida de mito.

Crente em coisa alguma, aguardo

o traço pesado e sombrio, que embalo

neste medo, que me crucifica o corpo e a alma.

As forças esvaecem-se, o pão é uma utopia.

A minha casa não tem portas nem janelas.

Lavo-me da morte e da corrente que me assola as vísceras!

E, o traço foge-me nas palavras errantes,

no redesenho dos fantasmas sem rosto.


José M. Silva



Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

A água faz transparecer a nudez


Pintura digital. José M. Silva

A água faz transparecer a nudez
do brilho que desvanece aos olhos.
Sangue sem identidade voa
na paleta mesclada do pintor.
Este alumia o corpo e a alma
e adivinha as correntes com traços
e imagens a nascer d´outras terras.

José M. Silva

Em livro "As Sombras"

Domingo, 15 de Agosto de 2010

Bem... a tinta estava a dar as últimas mas...



Esboço para a exposição que vou
apresentar no próximo mês de Outubro,
no Clube Literário do Porto, intitulada:
Combate à pobreza e à exclusão social.


Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

A mulher do meu poema


Pintura digital
Autor: José M. Silva

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite
vestida de branco, inundada de amor.
Entrelaçou os seus dedos imaginários,
abriu-me os olhos e percorreu-me o corpo.
Enlacei o seu corpo desnudado,
ancorado na penumbra do meu ser e
dei-lhe um beijo roubado.
Recriei-a no tempo
e reproduzi-a no espaço.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite.
Tocou o meu pensamento,
sentiu o meu desejo,
ouviu o meu segredo,
Abraçou-me e mergulhou
nas profundezas do meu ser.
Prendeu-me nas algas
e levou -me ao fundo do mar.
Mostrou-me tesouros submersos, casulos e corais.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

José M. Silva

Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Verifiquei que as cores se distanciavam



Desenho a lápis de cor azul
Autor José M. Silva


Verifiquei que as cores se distanciavam

quanto mais frias.Mas o seu fogo

retraía-me o olhar.

Verifiquei também que as formas surgiam

como pássaros num voo cerrado.

As linhas renovavam-se

numa junção física e intuitiva.

No nascer suspenso, de uma mutabilidade,

que pairava no silêncio

e no registo delineado do tempo.

Tempo que não apaga, nem os sonhos, nem o som,

com que invento a descrição do teu rosto.


José M. Silva


Do Livro «As Sombras» 2010



Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Em pecado


Desenho a caneta autor: José M. Silva

Da tua graça
não vou falar
mas do dia em que na praça
te vi passar.

Passaram dias, meses, anos…
até que naquele dia
em que cedo anoitecia
como que por magia
finalmente te via….

Era Inverno
caía uma chuva miudinha
disseste-me olá seguido de uma gracinha
e deste-me um beijo terno.

Estavas gelada
mas alegre e sorridente.
A chuva não parava
eu para ti olhava
e o tempo voava…

Fixaste os meus olhos
como quem olha o horizonte
como quem procura uma ponte!

Era o nosso amor de outrora
mas tinha hora…

Abstractos caminhos cruzamos
sonhos reais passámos
choros e angustias vivemos
de mágoas e culpas padecemos.

Mas num sopro de alegria
sussurraste se eu queria
de novo aquele dia.
Que não foi sonho nem magia
foi como um eclipse da lua
e de novo te vi nua…


José M. Silva

Em livro «Há copos, garfos inebriados dentro de mim»