quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A água faz transparecer a nudez


Pintura digital. José M. Silva

A água faz transparecer a nudez
do brilho que desvanece aos olhos.
Sangue sem identidade voa
na paleta mesclada do pintor.
Este alumia o corpo e a alma
e adivinha as correntes com traços
e imagens a nascer d´outras terras.

José M. Silva

Em livro "As Sombras"

domingo, 15 de agosto de 2010

Bem... a tinta estava a dar as últimas mas...



Esboço para a exposição que vou
apresentar no próximo mês de Outubro,
no Clube Literário do Porto, intitulada:
Combate à pobreza e à exclusão social.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

A mulher do meu poema


Pintura digital
Autor: José M. Silva

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite
vestida de branco, inundada de amor.
Entrelaçou os seus dedos imaginários,
abriu-me os olhos e percorreu-me o corpo.
Enlacei o seu corpo desnudado,
ancorado na penumbra 
dei-lhe um beijo roubado.
Recriei-a no tempo
reproduzi-a no espaço.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite.
Tocou o meu pensamento,
sentiu o meu desejo,
ouviu o meu segredo,
Abraçou-me e mergulhou
nas profundezas.
Prendeu-me nas algas
e levou -me ao fundo do mar.
Mostrou-me tesouros submersos, casulos e corais.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

A mulher do meu poema
apareceu ao cair da noite.
No espaço !.. Das noites e dos dias.

José M. Silva

terça-feira, 25 de maio de 2010

Verifiquei que as cores se distanciavam



Desenho a lápis de cor azul
Autor José M. Silva


Verifiquei que as cores se distanciavam

quanto mais frias.Mas o seu fogo

retraía-me o olhar.

Verifiquei também que as formas surgiam

como pássaros num voo cerrado.

As linhas renovavam-se

numa junção física e intuitiva.

No nascer suspenso, de uma mutabilidade,

que pairava no silêncio

e no registo delineado do tempo.

Tempo que não apaga, nem os sonhos, nem o som,

com que invento a descrição do teu rosto.


José M. Silva


Do Livro «As Sombras» 2010



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Em pecado


Desenho a caneta autor: José M. Silva

Da tua graça
não vou falar
mas do dia em que na praça
te vi passar.

Passaram dias, meses, anos…
até que, naquele dia
em que cedo anoitecia
como que por magia
finalmente te vi!

Era Inverno
caía uma chuva miudinha
disseste-me olá, seguido de uma gracinha
e deste-me um beijo terno.

Estavas gelada
mas alegre e sorridente.
A chuva não parava
eu para ti olhava
e o tempo voava…

Fixaste os meus olhos
como quem olha o horizonte
como quem procura uma ponte!

Era o nosso amor de outrora
mas tinha hora…

Abstractos caminhos cruzamos
sonhos reais passámos
choros e angustias vivemos
de mágoas e culpas padecemos.

Mas num sopro de alegria
sussurraste se eu queria
de novo aquele dia.
Que não foi sonho nem magia
foi como um eclipse da lua
e de novo te vi nua…


José M. Silva

Em livro «Há copos, garfos inebriados dentro de mim»

quarta-feira, 3 de março de 2010

Falo


Pintura digital
Titulo: Á beira-rio
Autor. José M. silva



Falo
daquele dia
em que fomos nós
nas margens do rio.
A água corria nos olhos
e as flores cresciam nas mãos…
Falo
daquela tarde
em que o Outono fervia
e as folhas nos afagavam.
Numa dança crepuscular
e nos beijos ardiam no ar
Falo
do amor
da caligrafia do teu corpo
da cumplicidade do tempo
da brancura do teu rosto
da doçura dos teus lábios…
Falo… devaneios!

José M. Silva



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Embalo nas correntes serpentinas


Pintura Digital
Titulo: Movimento Poético
Autor. José M. Silva


Embalo nas correntes serpentinas

que deslizam embriagadas

plos ventos.

Mergulho nas encostas áridas,

repletas de mistérios e enigmas nocturnos.

Sou amante da estrada, amante dos sonhos.

Sonho com corpos dançantes,

seios insinuantes e lábios carnudos.

Projecto pontes no ar e espelhos camuflados.

Vibro com mulheres encharcadas,

galopantes do sexo e enroladas em lençóis de sémen.

Vibro com combustões erécteis.

Vibro com as correntes da vida.

José M. Silva

Em livro «Há copos, garfos inebriados dentro de mim»